Diego Fortes
Explorar Diretor, ator e dramaturgo · Brasil · Berlim

Projetos

Um labirinto de ficções

Metalinguagem e Palco
Teatro dentro do teatro · A farsa do sucesso
Uma Juventude Fascinante

Espetáculo · 2024

Uma Juventude Fascinante

Molière

Espetáculo · 2018

Molière

O Grande Sucesso

Espetáculo · 2016–2017

O Grande Sucesso

Um Rosto que Espreme

Espetáculo · 2012

Um Rosto que Espreme

Câmbio

Teatro Digital · 2021

Câmbio

Memória e Política
O poético · Desaparecidos · Sobrenatural
Dezembro

Espetáculo · 2019

Dezembro

Os Invisíveis

Espetáculo · 2010

Os Invisíveis

Bolacha Maria

Espetáculo · 2008

Bolacha Maria

Destino e Multiversos
Teoria quântica · Finitude · O inevitável
O Fantástico Coração Subterrâneo

Espetáculo · 2015

O Fantástico Coração Subterrâneo

Procurado

Espetáculo · 2012

Procurado

O Vazio e o Cotidiano
Diálogos rítmicos · Absurdo do tédio
Poses para Dormir

Espetáculo · 2018

Poses para Dormir

Os Leões

Espetáculo · 2006

Os Leões

Jornal da Guerra

Espetáculo · 2009

Jornal da Guerra Contra os Taedos

Café Andaluz

Espetáculo · 2005

Café Andaluz

Duas da Manhã

Espetáculo · 2012

Duas da Manhã

Café Andaluz
— Queria saber no que é que você estava pensando.
— Ah, sei lá. Acho que eu não estava pensando em nada.
— Não estava pensando em nada?
— Sim, não estava pensando em nada.
— Nada mesmo?
— Nadinha!
— Isso acontece sempre?
(triste) Acontece... E com você?
(triste) Também... (pausa) Na verdade, eu queria ter alguma coisa no que pensar, por isso eu te perguntei.
O Grande Sucesso
RAFAEL — É um paradoxo. Uma contradição. Toda tentativa é necessariamente uma tentativa de sucesso.
FERNANDA — Mesmo que fracasse?
RAFAEL — Claro. O objetivo de toda tentativa é o sucesso.
FERNANDA — Mas e se o objetivo da pessoa for fracassar?
RAFAEL — (irritado) Por que alguém iria tentar fracassar?
FERNANDA — Não sei, tô supondo.
NERO — Boa pergunta. Se a pessoa tenta fracassar e consegue, isso significa que ela teve sucesso?
RAFAEL — Acho que sim.
NERO — Mas ela fracassou.
RAFAEL — Mas ela teve sucesso em fracassar — o que já é alguma coisa.
NERO — Mas e se ela fracassa em fracassar significa que ela teve sucesso?
RAFAEL — Aí, ela fracassou mesmo…
Café Andaluz
L — 378 vezes 516.
A — 195.048.
T — Qual a capital de Botswana?
A — Gaborone.
D — E da Indonésia?
A — Jacarta.
T — A que país pertence a Ilha de Páscoa?
A — Ao Chile.
L — 782 vezes 1.180.
A — 922.760.
F — Existe realmente alguém especial para cada um?
A — Não, não existe.
F — Ah... que pena.
T — Por que há tanto sofrimento no mundo?
A — Para que haja aprendizado.
D — Onde eu perdi meu relógio?
A — Você não perdeu. Caiu atrás da gaveta do seu criado-mudo.
D — Obrigado.
F — Deus realmente está sempre olhando o que nós fazemos?
A — Não. Às vezes ele se distrai.
F — (muito alegre) Eu sabia!
T — Elvis está vivo?
A — Não.
D — O que resolveria o meu problema?
A — Tomar chá de boldo por 13 dias.
D — Só isso?
A — Só.
T — E o meu?
A — Você não tem nenhum problema. Você tem os problemas que todo mundo tem, você só imagina que tem mais. Mas não tem.
T — Isto não faz o menor sentido!
F — O senhor realmente sabe tudo?
A — Ninguém sabe tudo.
Os Leões
— Você vai ao médico?
— Não.
— Não ouvi você marcando um horário com o Doutor Guessman?
— Doutor Guessman não é médico. Ele apenas dá conselhos.
— Ah, um psicólogo.
— Não, também não. Doutor Guessman apenas dá conselhos, ele não ouve ninguém.
— Aconselha sobre o quê?
— Sobre qualquer coisa.
— Sobre amor?
— Pode ser. Na verdade você não pode escolher sobre o que será aconselhado.
— Mas isso é absurdo, você vai até lá, ele olha para sua cara e lhe dá um conselho aleatório?
— Doutor Guessman é cego.
— E daí?
— Você disse que ele olha para sua cara e...
— Mesmo assim, se ele não ouve o que as pessoas querem saber como pode dar conselhos a elas?
— Acontece que os conselhos do Doutor Guessman são muito bons. Certa vez ele me disse que eu deveria parar de comer uvas verdes.
— Mas você não costuma comer uvas verdes.
— Eu não posso, eu sou alérgico a uvas verdes.
— Mas então foi inútil, ele lhe aconselhou a parar de fazer uma coisa que você já não fazia.
— Sim, mas já pensou se eu não soubesse que sou alérgico e passasse a comer uvas verdes?
— Mas você sabe.
— Mas e se não soubesse?
— Você sabe! Ele lhe deu um conselho sobre algo que você já sabia.
— O Doutor Guessman é um conselheiro, não um adivinha.
23 de Setembro
— Você tá ouvindo isso?
— Ouvindo o quê, Pepe?
— Nada.
— Como nada? Diga o que você ouviu.
— Antônio, eu tenho ouvido umas coisas... não é de hoje...
— Que coisas?
— Umas vozes, Antônio.
— Você já reparou que todo mundo que ouve vozes é louco?
— Você tem razão, Antônio. Não tô ouvindo nada.
Os Invisíveis
JOANA — É um hábito nojento!
DANIEL — Você não vai se aprontar?
JOANA — Não estou bem assim?
DANIEL — Eles já vão chegar.
JOANA — Eu disse para olhar para mim!
DANIEL — Algum dos empregados viu você assim?
JOANA — Todos. Ficaram tão excitados que se jogaram ao mar.
DANIEL — Ah, é?
JOANA — É.
DANIEL — Espero que eles saibam nadar, então. São bons empregados.
JOANA — Você sabe que eu detesto que você fume dentro de casa.
DANIEL — Você detesta que eu fume.
JOANA — É um hábito nojento.
Câmbio
Não sei com quem estou falando.
É impossível conhecer inteiramente outra pessoa e igualmente impossível determinar de que maneira esta pessoa nos compreende.
Mas dá pra pensar em aproximações, podemos imaginar que aquilo que eu digo e aquilo que a outra pessoa entende é próximo.
São parecidas as imagens que estão na minha cabeça e eu expresso e as imagens que se formam na cabeça da pessoa que me ouve.
Mas não é disso que falo.
Realmente não sei com quem estou falando.
Não sei se estou falando com alguém.
Está me ouvindo?
A gente não pode se ver.
Seja lá quem você for.
Seja lá onde estiver.
Eu falo.
Espero que esteja me ouvindo e que as imagens que estão na minha cabeça e que eu agora expresso sejam parecidas com as imagens que se formarão na sua cabeça.
Diego Fortes

Bio

Diego Fortes

Diretor, dramaturgo e ator com atuação em criação, montagem e circulação de espetáculos, com foco em teatro contemporâneo e pesquisa de linguagem. Trabalha também com traduções e adaptações de dramaturgias latino-americanas.

Iniciou a trajetória no teatro aos 17 anos como assistente de direção de Marcelo Marchioro e, em 2001, fundou A Armadilha Companhia de Teatro. Assina direção e dramaturgia de obras próprias e colaborações — entre elas Os Invisíveis, escrito em parceria com Grace Passô. Venceu o Prêmio Shell (SP) de Melhor Autor (2017) por O Grande Sucesso. Desde 2021 divide a carreira entre Curitiba, São Paulo e Berlim, onde pesquisa dramaturgia contemporânea e Inteligência Artificial aplicada à dramaturgia. Ao longo da carreira, acumulou mais de quinze indicações a prêmios como o Prêmio do Humor, Bibi Ferreira, Troféu Gralha Azul, APCA, Prêmio Aplauso e Arte, Botequim Cultural, Reverência e Qualidade Brasil.

Áreas
Direção, dramaturgia, atuação, tradução e adaptação.
Interesse de pesquisa
Teatro contemporâneo, metalinguagem e uso de música ao vivo em cena.
Atuação formativa
Professor e orientador de dramaturgia/encenação no SESI-PR (2012–2016) e Artista Docente Convidado na SP Escola de Teatro (2020–21).
A Companhia
A Armadilha (fundada em 2001) desenvolve processos contínuos de pesquisa e criação em dramaturgia, com atenção à comunicação com diferentes públicos.
Prêmio Shell SP — Melhor Autor 2017 · O Grande Sucesso
Festival de Curitiba — Mostra Oficial 2019 · Dezembro
MON — Museu Oscar Niemeyer · Parceria continuada O Fantástico Coração Subterrâneo (2015), Poses para Dormir (2018) e Dezembro (2019)
SP Escola de Teatro — Artista Docente 2020–2021

Os Invisíveis — Rubricas

Cena III · Interior · Noite

Ela atravessa o cômodo sem acender a luz. Sabe de cor onde estão os móveis. Mas desta vez tropeça — algo mudou de lugar. Ou ela mudou.

Cena VII · Varanda · Madrugada

Os dois estão em silêncio há tanto tempo que o silêncio já tem textura. É como toalha úmida. Nenhum dos dois quer ser o primeiro a perceber.

Cena XII · Corredor · Quase amanhecer

O fantasma não assombra. Apenas observa. Tem inveja — não da vida, mas da capacidade que os vivos têm de fingir que o tempo passa de outra forma.

Por onde começar?

Sete perguntas. Nenhuma resposta errada.

Uma sugestão de leitura. Se você nunca leu nada daqui, este é um bom começo.

Agenda

Próximas apresentações

Novas datas em breve.

Pseudônimos

O Mural de Identidades

Personagens ficcionais criados por Diego Fortes para assinar obras, colunas e cenas dramáticas presentes nos espetáculos da A Armadilha.

Personagem criado por Diego Fortes

Alejandro Kauderer

Alejandro Kauderer

Málaga, 10 de fevereiro de 1970

Trabalhou como garçom, taxista e jornalista antes de se tornar escritor. Desde 1999, tem uma coluna chamada "Café Andaluz" na revista Ilusiones.

Escreve contos curtos e cenas para teatro sem nunca ter escrito uma peça completa, embora várias cenas já tenham sido encenadas como fragmentos em outras peças. Seus temas são relacionados principalmente à memória, ao desejo, à culpa, ao tédio, ao acaso e principalmente à comunicação. Uma das suas características mais marcantes é o uso de diálogos sem rubrica, apenas travessões, sem definir quem ou quantos são os personagens do texto.

Atualmente vive em Barcelona, com a mulher Magdalena e as duas filhas.

Personagem criado por Diego Fortes

Pablo Miguel De La Vega y Mendoza

Pablo Miguel De La Vega y Mendoza

A fascinante busca de Pablo Miguel De La Vega y Mendoza

A vida de Pablo Miguel De La Vega y Mendoza se confunde com a própria história do século XX e é marcada por uma série de acontecimentos tão curiosos quanto a sua obra.

Em 23 de outubro de 1911, nasce na cidade de Málaga na Espanha, na mesma cidade e na mesma rua de Pablo Picasso. Há quem diga que seu nome seja uma homenagem ao já então célebre filho dos vizinhos dos De La Vega y Mendoza, embora os dois nunca tenham se encontrado em vida.

Desde cedo desenvolveu um dom para a música. Quando tinha apenas 8 anos já tocava violino, rabeca, gaita de boca e alguns instrumentos de percussão como castanholas e bongô. Seus pais chegaram a crer que seu filho seria um novo Mozart, porém foi com a dança flamenca que De La Vega y Mendoza viria a conhecer o mundo. Com apenas 15 anos na época, De La Vega y Mendoza encabeçava o corpo de baile da Compañia de Las Rosas Rojas de Andalucía.

Durante uma viagem a São Petersburgo em 1926, ele conheceu Nadénka Gaiévna, uma prostituta russa 13 anos mais velha do que ele, por quem se apaixonou e decidiu se casar. Deixou a Compañia no meio da turnê pela Rússia e fugiu com Nadénka. Não se tem registros confiáveis do que ocorreu durante esses dois anos em que esteve desaparecido. Fontes afirmam que Pablo Miguel e Nadénka teriam integrado um circo de variedades que viajava por toda Europa, no qual ele exercia a função de músico e dançarino (tocava banjo enquanto sapateava e Nadénka, então já sua esposa, lhe atirava facas; numa dessas apresentações, uma faca teria acertado e decepado o lóbulo de sua orelha esquerda — o que explicaria o fato de ter uma orelha mais curta que a outra em fotos de divulgação mais recentes).

Pablo voltou para casa no início de 1929 para enterrar seu pai que sofria de um terrível caso de sonambulismo e entrara, durante a madrugada, na casa de um vizinho que não o reconhecera e o matara. A tragédia o marcara profundamente e no mesmo ano, De La Vega publicou seu primeiro trabalho: Mi padre suelto en la noche, um livro de poesias denso e amargurado que refletia seu estado d'alma, agora já separado de Nadénka. Saberia muitos anos depois que ela estava grávida quando da separação e que teve um menino chamado Andreas, que depois veio a descobrir que não era seu. Fontes comentam que Andreas seria filho do engulidor de espadas do tal circo itinerante do qual participaram. Registrado com seu sobrenome, Andreas De La Vega y Mendoza herdou o dom da música de seu pai postiço e se tornou um respeitado pianista na Bélgica.

Como seu primeiro livro fizera grande sucesso na tradução para o holandês (Mijn vader die in de nacht wordt verloren — 1931), Pablo Miguel mudou-se para Amsterdã onde escreveu e publicou dois livros de contos: La calle y la luna (1932) e Suéltame, mujer! (1933). Desta vez, os livros não agradaram nem público e nem crítica holandesa. Mas quando saiu a tradução para o inglês dos dois livros, Pablo Miguel teve seu talento reconhecido pela crítica americana e ele resolveu se mudar para os Estados Unidos. No novo continente, ele vislumbrou a possibilidade de começar vida nova e se casou pela segunda vez com uma corista de um show de variedades que assistira mais de 40 vezes. Eleonor Connolly lhe deu duas filhas gêmeas: Georgie e Gretta, curiosamente uma delas era canhota e a outra destra. Inspirado pela experiência de ser pai, ele escreveu uma série de livros infantis chamada Sleep Time (1947). Suas histórias com fundo onírico e narrativa sinuosa não foram compreendidas nem pela crítica, nem pelas crianças americanas. A tradução para o italiano, porém, fez muito sucesso (Tempo di sonno — 1948) e ele decidiu fazer as malas novamente, ir para a Itália durante o período da reconstrução no pós-guerra.

Eleonor não quis lhe acompanhar e ele voltou ao velho mundo sozinho. Por conta da separação e da saudade das filhas, ele passou por terríveis crises de insônia e, para amigos íntimos, nunca mais foi o mesmo. Fontes insinuam que Pablo desenvolveu tiques nervosos e manias como a de esconder objetos de seus donos. Perdeu muitos amigos e alguns pertences valiosos. Passou a beber e a escrever peças de teatro. Sua primeira obra para o palco foi El Talón de Aquiles (1950), levada a cena pelo famoso diretor italiano Viccenzo Mangatolla. Divergências entre De La Vega y Mendoza e Mangatolla fizeram com que a peça tivesse algumas falhas como diálogos interrompidos na metade e trechos inteiros que foram cortados sem a autorização do autor e que prejudicaram o entendimento do público. O espetáculo foi um fracasso na Itália; porém o iniciante diretor francês Jean-Luc Bobin realizou uma montagem no interior da França (Le talon d'Aquiles — 1951), seguindo à risca todas as palavras do texto. Novamente De La Vega y Mendoza teria seu talento reconhecido.

Mudou-se para a França onde conheceu Françoise Gievernìe com quem passou a dividir os lençóis. Começou a escrever La pieza sin fin. Ironicamente nunca veio a terminar este texto e resolveu escrever uma biografia não-autorizada do então desconhecido poeta sueco Swen Luddocka. Luddocka: une vie sans frontières estreou em Saint Denis em 1952, mas o público não entendeu qual o interesse de De La Vega y Mendoza em falar de um poeta albino que publicou apenas um livro, cujas impressões foram destruídas num incêndio antes de irem para as livrarias, incluindo as matrizes. Arrasado pelo infortúnio, o poeta se suicidara logo depois. De La Vega y Mendoza alegou que como nunca ninguém pôde ler o que escrevera Luddocka, poder-se-ia imaginar que a poesia mundial tinha nele um de seus maiores nomes — dado a paixão que tinha pela sua obra — e que então nos cabia imaginar a poesia de Luddocka; seríamos todos co-autores, um convite à criação, um legado de inspiração em branco. Branco como Luddocka. O público francês dizia se tratar de uma fraude um poeta do qual nunca se leu um poema. Mas o mistério e a criatividade da peça foi compreendida e transformada em filme em 1954 pelo cineasta espanhol Fernando Naranjas. Una vida sin fronteras foi um grande sucesso em toda Europa — menos na França — e De La Vega y Mendoza voltou a desfrutar de prestígio em sua terra natal, para a qual voltou no mesmo ano sem Françoise, que o deixara pelo seu vício em morfina.

Teve em 1955 seu ano mais produtivo: escreveu o livro de contos Mentiras e as peças Las Abejas, El abajour morado, Señorita Ana y los gatos e Los leones. Nenhuma delas alcançou um grande sucesso na Espanha e seu trabalho caíra no esquecimento por muitos anos.

Em 23 de outubro de 1955, morre com apenas 44 anos no dia de seu aniversário, durante uma visita de suas filhas à Málaga. Sua morte foi sentida profundamente pela dançarina flamenca Maria Lucia Álfabar, sua companheira na época. Fontes revelam que seu último desejo era terminar La pieza sin fin, mas não pôde concretizá-lo. Sempre se mudando para os lugares onde fazia sucesso, sua admirável busca por reconhecimento o fez conhecer o mundo e o mundo a conhecê-lo.

Sua obra heterogênea foi traduzida para o português por Manuel Cunha Lopes e Annamaria Cristina Brito e publicada no Rio de Janeiro apenas em 1978.

(texto de José Bartolo da Costa Neto publicado na revista "Ilusões" em 1982 — São Paulo, SP.)

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Pecinhas — pedaços desencontrados de peças