JORNAL DA GUERRA CONTRA OS TAEDOS

Texto: Manuel Carlos Karam
Adaptação: Diego Fortes
Direção: Diego Fortes

Os conflitos humanos são o tema central dos textos de ”Jornal da Guerra Contra os Taedos”, do premiado escritor e jornalista catarinense Manoel Carlos Karam, que morou em Curitiba de meados de 60 até sua morte, em dezembro de 2007. O material, cheio de ironia e sarcasmo, ganha mais vida e dinamismo na adaptação feita pelo grupo A Armadilha, que estreia hoje a temporada do Teatro Novelas Curitibanas com peça inspirada em Karam.

”A peça não fala exatamente sobre a guerra. Fala mais sobre a subversão do poder estabelecido, sobre corrupção, sobre qualquer tipo de conflito humano, como ciúmes, inveja, calúnia ou qualquer outra coisa que você tenha como conflito humano”, explica o diretor Diego Fortes, que vem ensaiando e adaptando a obra desde dezembro, após aprovação da peça em edital do Fundo Municipal da Cultura da Fundação Cultural de Curitiba (FCC). A companhia A Armadilha já havia trabalhado antes com textos de Karam, em ”Bola Maria – Um Punhado de Neve que Restou da Tempestade”, na mostra paralela do Festival de Curitiba, o Fringe, de 2008.
A história da peça gira sobre uma guerra fictícia em que os instrumentos bélicos servem a interesses particulares, tanto de ”Nós”, que representa o lado do leitor ou espectador, quanto dos ”Taedos”, que seriam ”os inimigos, os vizinhos, aqueles que não somos ‘Nós’, o outro ser social, que difere de mim”, explica Diego. ”São vários temas e cenas, como a impossibilidade da paz; sobre como a guerra começou, sobre quem são os Taedos…”, destaca.
”Jornal da Guerra Contra os Taedos” na verdade nunca foi publicado como livro por Karam, que escrevia os textos em forma de crônicas, dedicadas à esposa. ”Na verdade era um pedaço de livro. Como a mulher dele gostava e pedia para ele escrever, então ele escrevia quatro crônicas sobre o ‘Jornal da Guerra Contra os Taedos’ por semana e enviava para a esposa por e-mail, mesmo morando na mesma casa. Depois que ele morreu, foi lançado então um livro póstumo com o jornal”, conta Diego.
Como as crônicas não foram escritas no formato convencional de um livro, a companhia precisou encontrar alternativas de encenação para preservar a identidade do texto original, que trabalha com ideias rápidas, e o humor sofisticado. ”Adaptar literatura já é difícil, literatura experimental de um livro que não foi estruturado como livro é ainda mais difícil. A gente queria que não fosse didático, então procuramos usar mais jogos cênicos”, adianta. ”Trabalhamos com diversos endereçamentos, às vezes a gente fala direto com o público, com o que chamamos de teatro pós-dramático. Também usamos cenas com personagens que não estão no livro, para mudar um pouco a ambientação.”
”O espetáculo é cômico, mais com relação ao cinismo. É um humor rápido, que exige um pouquinho de você”, completa Diego. Após ”Jornal da Guerra Contra os Taedos”.

Fonte: Folha de Londrina

Matérias sobre o espetáculo:

Folha de Londrina: https://www.folhadelondrina.com.br/folha-2/conflitos-humanos-em-jornal-da-guerra-contra-os-taedos-672885.html

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